Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações.
- 2 Coríntios 1:3-4
A perda muda o silêncio da casa. Uma cadeira vazia na mesa, um número que a gente ainda quase liga, uma roupa que ninguém tem coragem de guardar. O luto não avisa quando chega e também não avisa quando vai embora.
Paulo abre a segunda carta aos Coríntios chamando Deus de “Pai das misericórdias e Deus de toda consolação”. Repare no que ele não escreve: não diz “Deus que explica tudo”. Não promete uma resposta para o porquê. Promete presença, porque Deus nos consola em todas as nossas tribulações, e a palavra “todas” inclui esta.
E Paulo não escreve de longe. Poucos versículos depois, ele conta que passou por uma aflição tão grande que perdeu a esperança da própria vida (2 Coríntios 1:8). Quem fala de consolo sabe o que é chegar ao fundo. Isso dá peso às palavras dele: consolo que passou pela dor não é frase pronta.
Por isso o consolo de Deus não vem com prazo. Ele não pede que a gente esteja bem na semana que vem nem que pare de chorar para parecer forte. Costuma chegar devagar: num versículo lido sem pressa, num abraço, numa pessoa que aparece com comida e fica calada ao nosso lado.
O versículo 4 aponta um segundo movimento. O consolo que recebemos de Deus nos prepara para consolar quem passa pelo mesmo. Mas isso vem depois, no tempo certo. Primeiro a gente recebe, porque só quem foi abraçado aprende a abraçar sem pressa.
A nossa dor não fica sem testemunha. Deus está perto agora, ao lado da cadeira vazia.








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