Comerciante, funcionário público federal, político, cronista apaixonado pelas coisas do Sertão. Sr. Gastão Cerquinha da Fonseca nasceu em 25 de abril de 1922, no município de Afogados da Ingazeira, localizado no alto do sertão pernambucano. Filho de Augusto Cerquinha da Fonseca e Maria Freire de Oliveira. Gastão Cerquinha é pai de nove filhos entre eles o jornalista Magno Martins e o amigo Augusto Martins, este último figura importante na política e cultura afogadense.
Hoje, 25 de abril, é um dia muito especial, a mistura dos Martins, de Monteiro (PB), com os Fonseca, de Porto, Portugal. Descendente de linhagem lusa, Gastão Cerquinha completa 99 anos. Amanhã, sua vida já estará no ano do seu centenário.
Seu Gastão nasceu no sítio Borges, hoje um bairro na entrada de Afogados da Ingazeira, 386 km do Recife. Os portugueses, é sabido, descobriram o Brasil pelo litoral, mas se infiltraram fortemente no Sertão em busca de algodão, o ouro branco como cantou Luiz Gonzaga. A exploração da matéria-prima para a indústria têxtil foi responsável pelo primeiro ciclo – e talvez único – de prosperidade no Sertão euclidiano.
Augusto Cerquinha, pai de Seu Gastão, assistiu muita gente se dar bem na vida cultivando e explorando o fio branquinho, que muito tempo depois foi corroído pela praga do bicudo. Seu meio de vida sedimentou na arte de fazer alpergatas em couro cru. Do seu ateliê, o maior de Afogados da Ingazeira, tirou o sustento de uma enorme prole com sua esposa Mariinha: 13 filhos. Seu Gastão era forçado a trabalhar no corte do couro de boi e bode, mas nunca gostou do cheiro da graxa e da tinta usados nos diversos modelos de alpergatas.
Fugiu do forte cheiro da graxa para encontrar no comércio o ganha pão. Começou vendendo banana na feira livre, abriu em seguida uma padaria, depois uma loja de miudezas, ingressou nos Correios e Telégrafos, foi vereador e vice-prefeito de Afogados. Apaixonado pelo Sertão e Afogados, escreveu três livros biográficos de personagens importantes do município.
Na adolescência, assistiu um irmão levar um tiro nos olhos, vindo a ficar cego. Por muito tempo, foi guia do mano, que morreu muito cedo. Se a tristeza marcou essa fase da sua vida, a alegria dentro da família se deu de outra forma muito tempo depois com a medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres da pentatleta Yane Marques, neta de José Coió, seu irmão, já falecido.
Seu Gastão nunca fumou, nunca bebeu, nem tampouco foi chegado à festas. Viveu para a vida inteira dedicado à família. Saudável, trabalhou até aos 90 anos. Assisti ele, nesta idade, a subir em árvores para colher frutas, andar em garupa de moto e fazer outras cositas quase impossíveis ao peso da idade sem nunca reclamar sequer de uma dor de cabeça, disse Magno Martins, um de seus filhos.
Adaptado de pesquisa e do blog do Magno Martins
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