Falar sobre o Rio Pajeú é falar sobre nossa identidade. É falar sobre memória, pertencimento e sobre a própria formação social da nossa cidade. Durante várias décadas, suas margens foram marcadas por momentos de encontros, festas, histórias de infância e lembranças que ajudaram a construir a sociedade que nos tornamos. O rio era convivência, era referência, era vida.
Hoje, como observamos na foto, o cenário é outro. O que antes simbolizava alegria e integração social tornou-se reflexo do abandono, da poluição e da indiferença. O silêncio que paira sobre o Rio Pajeú não é apenas ambiental; é também simbólico. É o silêncio de uma comunidade que, pouco a pouco, se distanciou do seu próprio coração. Afinal, quando observamos o mapa de Afogados, o Rio Pajeú está bem no meio.
É fácil apontar o dedo exclusivamente para o poder público. E, de fato, políticas ambientais eficazes, fiscalização, saneamento básico e planejamento urbano são responsabilidades institucionais inegáveis. A ausência de ações realmente estruturantes contribuiu significativamente para o estado atual do rio. No entanto, limitar a culpa apenas às gestões públicas é simplificar um problema que também é cultural e coletivo.
Quantas vezes descartamos lixo de forma inadequada? Quantas vezes ignoramos a importância da preservação? Quantas vezes nos omitimos diante de agressões ambientais? O Pajeú não foi degradado apenas por decisões administrativas, mas também pela soma de pequenas negligências cotidianas.
O rio sempre foi bem mais do que um curso d’água. Ele é um elemento formador da nossa história econômica, social e afetiva. Se perdermos o Pajeú, estaremos perdendo parte da nossa identidade. Estaremos permitindo que a cidade cresça desconectada de suas raízes.
Resgatar o rio exige mais do que obras pontuais. Exige educação ambiental, mobilização social, cobrança política responsável e, acima de tudo, mudança de mentalidade. Precisamos reconstruir o sentimento de pertencimento. Precisamos enxergar o rio não como problema, mas como patrimônio, afinal, ele é!
A revitalização do Pajeú não é apenas uma pauta ambiental; é um compromisso moral com as futuras gerações. É a oportunidade de devolver à cidade um símbolo cultural e, principalmente, afetivo.
Por Gabriel Almeida











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