Venezuelanos que vivem em Boa Vista realizaram um ato na noite deste sábado (3) para comemorar a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A notícia provocou manifestações de alegria entre migrantes que deixaram o país por causa da crise política, econômica e social.
Migrantes venezuelanos que tiveram que deixar o país natal castigados pela crise econômica relataram “misto de sentimentos” após os ataques militares lançados pelos Estados Unidos contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3). Longe do país de origem, eles acompanham as notícias e falam em expectativa de mudança política e medo de novas perdas para quem ficou.
Professor universitário por mais de quatro décadas na Venezuela, José Gregorio Tovar, de 68 anos, vive há um ano e oito meses na capital roraimense, separado da família. Para ele, a ofensiva era algo esperado por parte da população que se sentia sem alternativas.
“Esse ataque era esperado. O povo venezuelano não tinha mais apoio interno. Foram anos de uma ditadura que oprimiu o povo, destruiu a economia, a educação e empurrou milhões para fora do país. Queríamos mudanças”, afirmou.
José Gregorio relata que viu universidades esvaziarem, salários serem reduzidos a valores simbólicos e a educação perder força. Segundo ele, professores chegaram a receber o equivalente a cerca de US$ 130 por mês, enquanto aposentadorias não ultrapassavam alguns centavos de dólar.
O sentimento de alívio também aparece no relato de Abrahar Rodulf, de 30 anos, natural do estado de Sulcre. Em Boa Vista há seis anos, ele sobrevive atualmente recolhendo latinhas. “Eu me sinto feliz. Feliz porque não dava mais para viver daquele jeito”, afirmou. “Minha mãe se prostituiu para poder nos dar comida. Para sobreviver na Venezuela, a pessoa tinha que roubar ou se humilhar. Quem não fazia isso, não conseguia viver sendo pobre”.
Morando no Brasil há dois anos e meio, Jesus Martinez, de 65 anos, natural de Carúpano, no estado de Sulcre, diz que a reação entre muitos venezuelanos é de alívio, mas também de lembrança das dificuldades que levaram à migração.
A vendedora Lizmar Acagua, de 30 anos, chegou a Boa Vista há seis meses, vinda de El Tigre, no interior da Venezuela. Ela diz que, apesar da felicidade com a queda do governo, o sentimento não é simples. (g1/ Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR)











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