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Maria Dapaz: um ano de muita dor e saudade

Romero Moraes por Romero Moraes
6 de abril de 2021
emᅠ Notícia
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Maria Dapaz: um ano de muita dor e saudade
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Este sorriso único dela pouco nos consola da sua morte prematura. Maria Dapaz foi chamada por Deus há exatamente um ano neste 27 de julho. Afastado das minhas atividades, só soube três meses depois.

Foi de repente, instantâneo, para a infelicidade dos seus fãs, admiradores e amigos como eu. Paizinha, como era chamada carinhosamente, nasceu em Jaboatão, mas morou sua infância e adolescência entre Sertânia e Afogados da Ingazeira, onde se revelou no grupo musical Unidos, do inesquecível e talentoso guitarrista Antônio Terê.
Dos Unidos, virou rapidamente vocalista da orquestra Marajoara, que ainda faz sucesso hoje. Dancei muito no Acai, clube de Afogados da Ingazeira, ao som da Marajoara. Paizinha animou também velhos carnavais na cidade pela orquestra de Dino e Guaxinim, além de outros talentos, como Lulu Pantera e de uma penca que me foge à memória.

Estrela no Pajeú, Paizinha sumiu de uma hora para outra da região. Descobrimos que foi fazer carreira solo na Europa, onde morou uma boa temporada. Mas a cantora não suportou a saudade e regressou. Voltou para consolidar sua carreira. Em 45 anos de carreira, lançou 16 discos e três DVDs.

Dentre os prêmios, emplacou o Disco Visão e teve duas indicações ao Grammy Latino com o CD Vida de Viajante. Ganhou também o prêmio Ary Barroso, de melhor compositora e melhor intérprete por três vezes.

Paizinha morreu aos 59 anos no auge da sua carreira. Fui ver diversos shows dela no Recife, onde a reencontrei depois de ausentar de Pernambuco fixando residência em Brasília. Sua empresária Jô, uma figura doce e inquieta, diz que ainda não acordou do pesadelo de ter perdido a companheira.

Com o coração fincado no Pajeú, Paizinha nunca renegou suas origens na mídia nacional. A vi por várias ocasiões em Jô Soares e no programa de Rolando Boldrin. E ali manifestava seu amor pelo torrão natal. Paizinha não foi um rio que passou em nossas vidas de Severinos e retirantes.

Seu canto, como o passarinho que se debruça na janela, nunca vai sumir. Ficou alicerçado como as doces recordações do Rio Pajeú.
(*) Por Magno Martins
Tags: Afogados da Ingazeira
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