Quando eu estiver com medo, confiarei em ti.
Salmos 56:3
Há uma espera que não faz barulho, mas aperta o peito todos os dias. É a espera pelo resultado do exame, pela resposta que não chega, pela situação que não se resolve. Enquanto o tempo passa devagar, a ansiedade vai enchendo os espaços vazios com cenários que ainda nem aconteceram.
Davi escreveu o Salmo 56 numa dessas esperas. Estava cercado por inimigos, em terra estrangeira, sem saber o que os próximos dias trariam. E foi exatamente ali, no meio da incerteza, que ele fez essa afirmação simples: quando o medo vier, a confiança em Deus é a resposta.
Repare que ele não diz “se eu estiver com medo”. Diz “quando”. Davi sabia que o medo ia voltar, que a espera continuaria pesando. Isso não é falta de fé, é honestidade: a mesma preocupação que parecia resolvida ontem volta hoje, com força redobrada.
O que muda não é a ausência do medo, mas para onde ele é levado. Davi não diz que vai ignorar o medo ou fingir que ele não existe. Diz que vai confiar. É uma escolha feita de novo a cada vez que o medo aparece, não uma decisão única que resolve tudo para sempre.
Todos nós, em algum momento, atravessamos uma espera assim: um diagnóstico, uma resposta de emprego, uma decisão que outra pessoa ainda não tomou. O tempo parece andar mais devagar exatamente quando mais precisamos de respostas.
Confiar não é ter certeza de que tudo vai sair como você espera. É saber que, aconteça o que acontecer, você não está sozinho nesta espera. Deus está com você agora, no meio do peito apertado, e vai continuar ali amanhã.









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