A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) começou a julgar nesta terça-feira (2) o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Pela manhã, o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, abriu a sessão, e foi seguido pelo relator Alexandre de Moraes, que leu o relatório. Depois, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou as argumentações contra os réus.
À tarde, após Zanin abrir a sessão, falaram as defesas do delator Mauro Cid, do deputado federal Alexandre Ramagem, do almirante Almir Garnier e do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
Mauro Cid
A defesa do tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid foi a primeira a falar na parte da tarde.
Os advogados Jair Alves Pereira e Cézar Bitencourt reforçaram a tese da discordância do modo como a Polícia Federal construiu a investigação, assim como atitude de Moraes diante do militar por supostas divergências.
Segundo Pereira, divergências entre Cid e os investigadores são normais e não indicam coação ou irregularidades na delação premiada. E citou um áudio vazado com supostas contradições.
“O que há é o confronto de ideias com a investigação, o que é normal dentro de um Estado Democrático de Direito”, disse.
Pereira também destacou a conduta da equipe responsável pelos depoimentos, classificando-a como “extremamente ética e profissional”: “Eles nunca falaram com o Cid sem a presença da defesa. Nunca tentaram conversar com ele sem acesso aos advogados”.
Alexandre Ramagem
Em seguida, o advogado Paulo Renato Garcia Cintra Pinto, que atua na defesa do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), destacou nas alegações finais que não há provas concretas de que documentos eletrônicos investigados tenham sido transmitidos ou utilizados pelo então presidente da República.
Durante a sustentação, a ministra Cármen Lúcia chamou atenção do advogado por ele ter definido o voto impresso como “processo eleitoral auditável”. “O processo eleitoral é amplamente auditável e passa por auditoria, enquanto o voto impresso é outra questão. Não são sinônimos”, afirmou.
Cármen Lúcia explicou que associar o voto impresso à suposta insegurança do direito de cada cidadão votar pode ter gerado confusão na população que assiste ao julgamento ao vivo pelos canais do STF.
Almir Garnier
A defesa do ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier pediu a rescisão do acordo de delação premiada de Mauro Cid. O advogado Demóstenes Torres afirmou que a colaboração de Cid não pode ser validada diante da falta de lealdade no cumprimento do acordo.
Segundo ele, o próprio Ministério Público descreveu o delator com “epítetos desairosos”, como “omisso, resistente às obrigações pactuadas e faltoso com a verdade”. Para o defensor, é incongruente a tentativa da PGR de manter a validade da delação sem garantir os benefícios previamente ajustados.
Demóstenes classificou a posição da PGR como uma “jabuticaba jurídica”, afirmando que o STF nunca admitiu mitigações desse tipo em casos anteriores.
Anderson Torres
O advogado Eumar Novacki, responsável pela defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, acusou a PGR (Procuradoria-Geral da República) de apresentar “inverdades flagrantes” nas alegações finais do processo sobre os atos do 8 de Janeiro.
Segundo Novacki, uma das acusações mais graves feitas pelo Ministério Público seria a de que Torres teria forjado provas no processo, ao alterar passagens aéreas de uma viagem realizada para os Estados Unidos no dia 6 de janeiro de 2023, quando deixou o país com a família.
“É uma acusação gravíssima. O Ministério Público sustenta que Anderson Torres teria manipulado bilhetes aéreos, mas essas passagens foram mudadas no processo em janeiro de 2023. O próprio MP passou todo esse tempo sem fazer qualquer questionamento”, disse o advogado.











Deixe seu comentário: